Relação de Respeito

Relação de respeito

“Construir uma relação na qual o respeito esteja sempre presente”. Acredito que esse é o nosso maior objetivo com relação a nossas crianças. Mas quando me refiro a isso falo do respeito mútuo, que traz a possibilidade de viver a reciprocidade.

Ao considerarmos nossos pequenos como indivíduos e como crianças, com características e necessidades particulares, podemos escutá-las de outro lugar. Talvez não mais como adultos, que veem no mundo da criança situações menos importantes, e sim como seres humanos com quem nos importamos e estamos absolutamente atentos às informações e necessidades apresentadas.

Todo mundo já se deparou com as situações que descreverei agora. Muitas vezes confundimos determinadas atitudes das crianças com desobediência. Muitas vezes, quando pedimos algo para as crianças, esperamos que o mesmo seja atendido imediatamente e, caso isso não aconteça, chamamos a atenção delas ou ficamos irritados. Como seria, nesse momento, se ouvíssemos nossos filhos? Pode ser que naquele exato momento eles estivessem vivendo uma necessidade extremamente particular. Por que então não buscar novos caminhos?

Com esse novo olhar, a criança percebe que sua existência é importante dentro de casa. Esse respeito, todavia, não pode ser confundido com algo semelhante ao ato de “deixar a criança fazer tudo o que quer”. A construção viva desta relação de respeito implica em perceber a linha tênue entre essas duas situações. A construção do respeito é uma etapa muito especial que necessita de atenção e intenção diárias.

Há três posturas muito importantes nesse caminho:

1)     Coerência na forma: se num dia gritamos, em outro mantemos um diálogo e em outro não fazemos nada, a mensagem chega de maneira confusa e com muita possibilidade de que volte a acontecer. Quando somos coerentes e atuamos de forma positiva as crianças sabem o que, quem e como encarar neste momento de crescimento.

2)      Constância: sempre devemos corrigir comportamentos inadequados, mesmo que estejamos cansados, sem vontade ou sem tempo para todo o processo de correção. Isso leva as crianças a perceberem e a distinguirem um comportamento adequado de um inadequado.

3)     Construção da noção de consequência: quanto mais pudermos fazer com que as crianças vivenciem que toda ação tem uma consequência, mais os prepararemos para uma vida com total condição de escolha interna. A vivência da consequência substitui o famoso e tão aplicado castigo que, em vez de ensinar, é pontual e de efeito punitivo, acompanhado por uma grande carga de irritação. A consequência carrega em sua intenção amor, ensinamento e construção.

Viver a reciprocidade significa que o reconhecimento como SER existe e que os encontros carregam em si, a cada dia, mais respeito pelo SER único que ali se apresenta.

Com carinho,

Daniella Freixo de Faria

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