Quando agir é mais importante que reagir.

É importante falarmos sobre um assunto bastante difícil. Às vezes percebemos nossos filhos tristes após a convivência com outras crianças, devido ao fato de terem sofrido algum tipo de violência. Precisamos ter cuidado com o modo como resolveremos esses conflitos a fim de que gerem um real aprendizado para todos os envolvidos, inclusive em nosso aperfeiçoamento como pais. Saber que um filho apanha na escola, no clube ou na casa de algum amiguinho não é agradável, e principalmente não é aceitável. Afinal, as crianças convivem nestes ambientes para aprender e compartilhar muitas coisas, inclusive aprimorar a capacidade de se relacionar. Com crianças pequenas isso ainda pode acontecer ou passar despercebido, mas é importante demais que essa fase passe, que essa criança aprenda novas formas de se posicionar no mundo.

Ensinar um filho a se defender da forma correta faz parte da educação fundamental para convivermos nesta vida. Mas como será que podemos ensinar esse direito de “defesa”? Coloco entre aspas porque muitas vezes acabamos agredindo o outro ao pensar que estamos nos defendendo, quando na verdade estamos cometendo os mesmo erros daqueles que nos agrediram primeiro.

Trata-se de uma simples reação e, sendo assim, não há uma ação escolhida, sentida, pensada. Primeiro a criança tem que saber que ninguém pode agredi-la fisicamente, emocionalmente ou moralmente e que ela, obviamente, também não pode fazer isso com ninguém. Depois tem que aprender a se colocar com suas palavras ao falar claramente o que não está gostando, de forma firme e pontual.

Coloca-se também com seu olhar marcante e até mesmo fisicamente, protegendo o corpo daquele que pretende lhe machucar. Nestes casos a escola, ou a pessoa responsável, pode e deve agir de forma preventiva ao colocar a presença de um adulto zelando pelo bem-estar físico de todas as crianças.

O tempo todo, os pequenos estão aprendendo a como lidar com todas as diferenças que apresentamos, seja a disputa por atenção ou por brinquedos, ou a escolha das brincadeiras. Notamos que isso ocorre até mesmo dentro de nossas casas, no convívio entre os irmãos. Ao perceberem o respeito como canal de comunicação, a agressão passa a ser vista pela própria criança como algo inaceitável. E quando é agredida sabe que pode se posicionar e, caso isso não funcione, pode e deve sim buscar a ajuda de um adulto, sabe o que está havendo e exige respeito.

Mas tem uma frase que muitos de nós ouvimos e infelizmente ainda repetimos: “se alguém te bater, devolva e, se não o fizer, apanhará quando chegar em casa.” Infelizmente tenho que dizer que esse posicionamento reativo é pura violência e pior, faz com que a criança não aprenda e siga agindo no medo, seja do agressor ou até mesmo de nós.

Pude acompanhar a alegria de crianças que sofreram agressões retomando seu lugar de respeito com respeito, dignamente. E isso traz uma enorme satisfação por SER quem é, mesmo que essa retomada ocorra com auxílio de algum adulto. Acredito que a participação da escola em parceria com os pais seja imprescindível neste momento e, como acompanho constantemente no consultório, vejo que a ajuda recebida traz novas possibilidades a esta criança que pode então SER quem ela é e demonstrar isso com boas atitudes. Quando se manifesta um novo posicionamento, novos olhares são restabelecidos e novas relações podem ser construídas entre as crianças e, principalmente, da criança com ela mesma.

Reconhece e o respeita

Com tudo isso surgem novos encontros entre crianças, entre pais e filhos, entre amigos, levando a todos a chance de novas escolhas e novos resultados. A criança que agride tem nesta construção conjunta a linda possibilidade de olhar o outro como alguém que também está aprendendo, que também quer ser respeitado e cuidado assim como ele. E passa então a desenvolver, nesse time em ação, novas formas de lidar com momentos conflitantes. Percebe o outro e com isso, reconhece e o respeita. Dá conta de parar antes de agredir e buscar um novo caminho para reivindicar ou contestar algo que lhe incomodou.

Por meio de um caminho amoroso, conversas e posicionamentos auxiliados, as crianças aprendem a grande alegria que é conviver, aprendem a “viver com” e podem seguir em seu constante crescimento e aprendizado de forma saudável e construtiva.

Com carinho e gratidão

Daniella

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