Quando a insegurança aparece!

Esse dia vai chegar, infelizmente ou felizmente. As crianças mais cedo ou mais tarde percebem os fatos da vida. Falta de segurança, de respeito, acidentes, tragédias naturais, dificuldades do mundo…
As perguntas e os medos então começam a surgir: existe ladrão? Ele pode roubar minhas bonecas? Essa chuva está muito forte, é perigosa? Se o avião sobe, ele pode cair? Quando o carro bate, as pessoas morrem? Quando alguém fica muito doente, vai morrer?
Como é difícil agir numa hora dessas. O que devemos fazer?

O mais importante é percebermos o quanto nós adultos também sentimos todos ou parte destes medos e, sinceramente, o quanto temos que aprender a lidar com eles para ajudar nossos pequenos.
Essas situações sempre estiveram presentes em nossas vidas, talvez em menor ou maior grau de intensidade. O que me chama atenção é o quanto nossa cultura e nosso lado dramático cultivam internamente esse contato com o que nos causa o medo cotidiano.

Assistimos aos noticiários, lemos jornais e recebemos diariamente uma imensa quantidade de matéria-prima para nossos medos reais. Dá para não assistir? Talvez sim, ou não? O que mais importa é o quanto permitimos que nossa atenção fique voltada para essa etapa da vida pelo drama, pela dor, quando temos tantas outras formas de viver – o quanto não cuidamos de nossos pensamentos e sentimentos relacionados a esses assuntos difíceis. Vale lembrar que as crianças devem assistir programas adequados para a faixa etária, que no caso não são noticiários, novelas ou filmes considerados impróprios.

Quando nossos filhos começam a reparar nestas situações acredito que temos mais uma oportunidade de lidarmos com nossos medos, ajudando-os a lidarem com os deles. Uma das formas mais produtivas é ensinarmos as crianças a monitorarem seus pensamentos e sentimentos. Quando pensarem ou sentirem algo ruim, poderem pensar coisas boas e sentirem-se bem de novo. Respirarem e perceberem que, apesar deste lado da vida existir, podemos olhar para ele sem sermos engolidos. Temos a chance de escolher onde vamos focar nossa vida e nossa atenção.

Mas fazer isso pensando que um ladrão pode surgir a qualquer minuto fica muito difícil. Além do cuidado com o que pensamos ou falamos, a criança precisa ver que temos a responsabilidade de zelar por esta segurança. Precisa saber que estamos atentos a essas coisas tanto quanto ela, e que por isso ela pode ser criança, pois nós os adultos estamos ali, cuidando da sua segurança, sempre atentos. Óbvio que não podemos garantir que nunca nada vá acontecer, mas podemos prevenir que nada grave ocorra. E caso esse medo fique mais forte devido a um fato real que tenha realmente ocorrido, vamos lá novamente cuidar junto, olhar para a situação, digeri-la, dar colo, não somente para as crianças como para nós adultos também.

Não adianta trancar

Quero dizer com esse texto que, se ainda não aconteceu, certamente esta conversa vai aparecer em breve. É parte do nosso mundo, mas podemos lidar com ela com a devida responsabilidade, e estarmos, ao mesmo tempo, livres para também escolhermos o que estará dentro de todos nós.
Esta é uma reflexão perante um assunto extremamente difícil e num momento muito intenso, com situações e realidades diferentes das quais fomos criados quando crianças. Olhar para nossa infância, de nada adianta; trancarmos nossa vida e a de nossos filhos menos ainda. Essa conversa é apenas mais uma possibilidade de refletirmos sobre os dias de hoje. Pois o importante é vivermos, a cada dia, plenos, inteiros, produtivos, alegres, vivos, disponíveis para o outro e para as oportunidades que a vida nos oferece.

Com carinho e gratidão.

Daniella

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