De onde vim? Pra onde vou? Quem sou? DIA DAS CRIANÇAS

shutterstock_156859418Ser criança!! Como era bom ser criança. Lembro-me da liberdade, da leveza, da gargalhada depois da cosquinha feita pelo meu pai. Das risadas depois das broncas que eu e minha irmã dávamos as escondidas da nossa mãe. Das brigas pela escova de dente ou o melhor lugar na frente da TV. Os passeios pelo muro, passeios de bicicleta, tardes de Mario Brós, ou mesmo Barbie. O quanto mesmo sendo menina ,amava a coleção incrível de carrinhos ,com sua pista de madeira,  do meu primo Daniel.

A primeira e única boneca com todo cuidado recebido por mim e sua avó, minha mãe que ajudava a arrumar as malas, brincava como se tudo fosse real. Pegar onda com meu pai na praia. Ouvir quando assobiava ao chegar em casa. Ter a segurança da “mãetorista” indo e vindo sempre juntas em todos os momentos. Momentos onde, através de muitas conversas minha mãe me ensinava a viver neste mundo. Sempre cuidando, cuidando, com seu olhar, sua presença, sua firmeza afetiva.

Lembro-me do quanto eu amava quando minha mãe penteava meu cabelo, ou quando saíamos para comprar roupa, era o nosso dia. Adorava deitar em seu colo e ficar ali um bom tempo enquanto ela limpava os meus ouvidos, nossa aquilo podia durar o dia todo. As lições na escrivaninha, as novas amizades surgindo, novos medos, novas alegrias e descobertas sempre sempre.

Lembro-me do quanto a cada momento eu me descobria. Como que tirando o véu que antes cobria , descobrindo fora, eu descobria dentro e vice versa.  Porém, quando crianças passamos por tudo isso sem nos darmos conta de que estamos fazendo algo muito importante.

Lembro-me das perguntas: De onde vim, para onde vou, quem sou?

Eram perguntas importantes e as respostas estavam em todo lugar, num gesto da mamãe, num olhar do papai, na comida a mesa, na relação com as amigas, em tudo o que eu recebia de informação sobre quem eu era, afinal eu ainda não sabia.

Processo longo construído entre  tantas duvidas, erros e acertos. Mas será que existe a resposta de afinal, qual é o caminho para a educação de uma criança? Será que realmente o saldo será contabilizado por acertos e erros dos problemas vividos?

Quero hoje perguntar de novo e sempre, de onde vim? Para onde vou? Quem sou? Será que hoje adultos, pais e mães de crianças com possivelmente as mesmas perguntas, sabemos a resposta? Ou será que ainda estamos longe, ou quem sabe trilhando o caminho que nunca termina. O caminho do auto conhecimento, do crescimento, da evolução como indivíduo que resulta em nossa sociedade, em nossa casa, em nossos filhos , em nosso presente, em nosso amanhã.

Com todas essas perguntas sinto, penso que podemos aceitar o convite da criança para, de novo olharmos para dentro e para fora em busca desta criança curiosa, viva, única, brilhante que habita em nós. Da criança que questiona, e que mesmo sem ter consciência , busca o movimento.

Obviamente não voltaremos a ser criança ,mas podemos nos desenvolver como uma grande espiral ascendente, ou como diria o super homem, para o alto e avante. Podemos seguir amadurecendo porém, podemos fazer isso acrescentando em nós mais informação, mais troca, mais experiências e sabedoria,  sem deixar de fora nenhum pedaço de quem somos.

Com esta inteireza ,com certeza,  encontraremos nossos filhos de outra forma. Não mais preocupados com o que está certo ou errado na cartilha da educação moderna, mas partindo , indo (movimento)do coração, do que era tão fundamental quando nós éramos criança: Sermos reconhecidos, amados, cuidados a cada olhar, a cada encontro, a cada gesto.

Podemos, talvez devamos, neste dia da criança relembrarmos o quanto era fundamental essa troca , a escuta, a parceria, o reconhecimento.

Acredito que com toda a informação abundante que temos hoje deveria ser mais fácil educar, estar com nossos pequenos. Porém, sinto o quanto toda essa informação congestiona os canais, talvez o principal canal , da escuta interna de um pai e uma mãe. Escuta, essa que permite ouvir o que vai em seu coração, seus fellings, sua sabedoria , seu Ser. Que mesmo estando ali para educar ainda está aprendendo, mas já sabe muita coisa.

Precisamos desenvolver nosso eixo, reencontrar neste dia dia tão corrido, nosso ser essencial que não busca a resposta somente fora, mas principalmente dentro. Estado interno que não tem que acertar, se não esta errado, mas que aprendendo busca acertar e corrige os erros.

Quando encontramos conosco ou com nossos filhos deste lugar , o amor, a alegria, a leveza podem surgir naturalmente. Surge também uma honesta relação que a cada momento torna-se sagrada, cuidada, protegida. Afinal lembrando da nossa criança, das nossas perguntas, dos nossos saberes e não saberes podemos, com certeza, olhar para a criança que esta em casa nos esperando, neste exato momento, com tanta ternura e respeito como temos por todo processo de descoberta que também vivemos.

Lembre-se do quanto era importante ser ouvido de verdade, do quanto nossas questões eram fundamentais, do quanto nossas vontades eram legítimas, do quanto nossos sentimentos eram fortes e presentes,do quanto queríamos crescer. Lembre-se do mundo que sonhávamos, dos sonhos que sonhávamos. Lembre-se do quanto todo o cuidado nos contornava e nos ensinava onde estávamos e como seria Possível seguir em frente. Lembre-se da ajuda pedida e recebida, das conversas vivas e produtivas. Lembre-se do sentimento de pertencimento.

Tudo isso que talvez muitos de nós tenhamos vivido , ou não ,tudo isso nos conta o que a criança precisa. Não importa se foi o que recebemos ou não, importa percebermos do que precisávamos. Isso sim fará a diferença que fará a diferença ao olharmos para nossos filhos.

Único

O momento é outro, o caminho é único , todos nós estamos caminhando e podemos juntos com nossos filhos compartilhar dessa jornada como deve ser, de todos nós. No amor, no encontro , no reconhecimento.

Com carinho e Gratidão

Daniella

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