Crescer e Deixar Crescer!!!

Quando pensamos em um processo de crescimento logo consideramos o desenvolvimento infantil. Neste caminho temos a oportunidade de acompanhar nossos filhos e comprovamos, a cada dia, toda a capacidade cognitiva, emocional e motora de aprender e aplicar o aprendizado.

A cada encontro nos surpreendemos com algo novo. Uma palavra, uma expressão, um jeitinho, um carinho, uma bronca, uma percepção, uma nova ação. É incrível como esse desenvolvimento é um fluxo contínuo e crescente, como uma grande espiral ascendente.

Nós, os pais, somos parceiros deste processo, mas acredito que por muitas vezes não percebemos claramente isso. Parceiros não somente no sentido daquele que ensina e estimula, mas também daquele que é estimulado, que também está se desenvolvendo.  É muito interessante pensar que também estamos aprendendo a sermos pais em cada momento, a cada volta desta espiral.

Tenho percebido que neste longo processo muitas vezes somos nós que não nos atualizamos e com isso o ritmo do processo de aperfeiçoamento, de enriquecimento desta criança se modifica. Será que não queremos que nossos filhos cresçam? Ou nos acomodamos com eles pequenos? Tão gostoso. Ou não percebemos as diferentes demandas que estão surgindo? O que será que está acontecendo?

Deixar crescer significa que a cada dia este indivíduo caminhará rumo a sua autonomia. Seja com relação ao seu próprio corpo, seja emocionalmente, moralmente e espiritualmente. Este caminho é compartilhado conosco a cada encontro, a cada olhar, a cada intervenção, a cada novo desafio que vivenciamos juntos. Nós pais somos por muitas vezes o veículo desta caminhada.

E sendo assim essa criança que não conseguia nem se vestir sozinha, hoje já se troca, escolhe sua roupa, diz o que pensa, nos corrige quando erramos, fala de suas emoções com propriedade, busca seu contorno e vive esta experiência. Mas somos nós que às vezes ficamos absolutamente perdidos nesse caminho. Quando vimos já estamos dando comida na boca de uma menina de sete anos, esfregando um  garotão de oito anos no banho, amarrando os sapatos eternamente, prestando pouca atenção em suas falas e suas novas necessidades, dentre outras muitas coisas.

Pode até parecer que estas interferências de nossa parte são naturais nos dias de hoje com toda a pressa e digestão rápida que vivemos nossas experiências nesse dia dia corrido . Mas esta postura tem efeito. Podemos deixar nossos filhos crescerem e isso será possível neste encontro sagrado conosco. Às vezes mantendo-os dependentes podemos ter uma maior sensação de segurança, mas na verdade estamos contribuindo para a grande insegurança deste indivíduo em formação. Algumas crianças demonstram isso claramente. Falam como bebês em casa e são lideres ativos na escola. Outras conseguem superar grandes desafios, tais como dormir na escola, ir a um acampamento, arrumar sua cama e suas roupas. É incrível, mas nestas oportunidades é possível ver filhos e pais tão felizes, afinal é uma vitória de todos os envolvidos.

Essas são apenas algumas das muitas situações que todos nós vivemos em nosso cotidiano. É importante percebermos que a mãe de uma menina de três anos precisa crescer também com ela para ser mãe da mesma aos seis. Crescer e deixar crescer. Isto significa que inseridos nesse processo tão complexo podemos estar preparados para a intensidade dele e , do quanto exige paciência para estimular, ensinar, receber e aceitar os convites das crianças para o próximo passo. Se não, ficamos parados no tempo, provavelmente nos bebês, e com isso, em vez de caminharmos juntos viramos freio de mão puxado no crescimento natural de todos nós. Para a criança este freio é uma contradição no seu dia a dia.

Alegria e satisfação

Mas para falarmos sobre isso talvez o caminho seja realmente olhar para dentro de nós e nos questionarmos: De quem são os filhos? Talvez vamos responder de imediato: “meu, minha, nosso”. Mas conforme os encontramos perceberemos a cada olhar quem eles realmente são. Perceberemos que são deles mesmos e que nós tivemos a grande oportunidade, o grande presente de sermos seus pais e que, juntos nessa relação, estamos abertos para o amor que recheia todo esse processo de evolução. É na relação, no que acontece no meio de nós que todos caminharemos, por isso a presença de cada um e de todos é fundamental.

Dar-se conta disto pode parecer difícil, mas acredite, é um grande alívio para todos. Ensinar, auxiliar em vez de fazer por eles passa a ser mais fácil. Vê-los crescer e aprender gera alegria e satisfação. E nós, pais antes com medo de perder este controle, podemos então viver algo precioso com nossos pequenos, a troca, o crescer juntos, afinal as crianças nesta relação sagrada têm também muito a nos ensinar.

Com todos os envolvidos livres, cada passo pode ser dado naturalmente e sendo assim, a ampla educação e a autonomia perante a vida, dentro e fora, acontece. Neste processo a criança vive com toda a intensidade a construção de seu eixo principal e pode com isso viver seu SER essencial.

O convite é feito todo dia!!! Vamos?!

Com carinho e gratidão,

Daniella Freixo de Faria

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