Por que precisamos de coragem para sentir?

“Eu queria chorar, mas não chorei. Fui corajoso ao invés de chorar.”

“Eu queria chorar, então chorei. Fui corajoso e triste.”

Nesse mundo onde temos que ser felizes, onde apenas seremos amados quando formos quem deveríamos ser, felizes, alegres, fortes, bem-sucedidos, magros, saudáveis, bons, leves, etc… O choro e a tristeza não cabem e fazem parte de um mundo que, aparentemente julgamos como ruim. Passamos a evitar a todo custo. Terapias, medicações, meditações, viagens, compras, drogas, comida, tudo para evitar o todo que somos. Tudo para evitar ser infeliz, mesmo que por um momento.

O custo dessa tal “felicidade” pode se tornar altíssimo, pode custar você, já que a vida real, inteira dá lugar a uma vida de ilusão, bonita para quem vê de fora, e doída para quem está vivendo de dentro. Quando esse ponto aparece, nos perguntamos: Como posso estar ainda sentindo esse vazio se aparentemente está tudo ótimo, como pode ser? Por que ainda me sinto triste se só me cerquei de felicidade? Por que a tristeza, se estar aqui é sobre ser feliz? É? É sobre ser feliz? Eu te pergunto? Será? Será que essa vida é felicidade? Ou será que felicidade seria viver a inteireza de Ser VOCÊ?

Na ânsia de recebermos amor, cumprimos por uma vida toda as expectativas dos outros e mais, cumprimos as nossas expectativas, pensando que se eu for assado ou cozido, se eu conseguir ser daquela forma ou daquela outra, serei merecedor do amor. Esse amor condicionado que nós nos damos em primeiro lugar e que depois damos a todos os outros a nossa volta e recebemos também.

Quando descobrimos que somos nós as primeiras pessoas que não nos amamos de fato e as primeiras pessoas a nos impor uma lista imensa de condições para sermos amados por nós mesmos e portanto felizes, somos nós quem não nos amamos. Chocante mas verdadeiro. Somos nós quem não nos amamos.

Os outros, os fatos, as circunstâncias

Apenas nos dão oportunidades de vermos o que nós fazemos conosco. Cobrança, exigências, rechaço, excesso de crítica e altíssima disponibilidade para lidarmos, aprendermos e superarmos nossos problemas. Que eu te pergunto mais uma vez, que problemas? Os sentimentos que nós julgamos ruins? O quanto não estamos sendo perfeitos para merecermos amor?

Esses mesmos sentimentos ruins são na verdade a grande bússola para nós mesmos. A grande dica de como nos sentimos perante esse mundo de ilusão, nessas relações repletas de agrados para lá e para cá. Quando nos amarmos inteiros, doendo, rindo, chorando, fortes, fracos, grandes e pequenos, tudo e nada, poderemos sim, vivermos livres da condição para dar e receber amor. Primeiro conosco, depois com aqueles que amamos e convivemos.

Fazer isso é simples? É. Fácil? Não, porque a ideia da dor, da tristeza, de sentir tudo isso nos faz querer evitar a todo custo esse momento. Mas acreditem, a ideia da dor é muito pior do que a dor em si, do que viver sua experiência. Será somente entrando em contato, tendo a coragem de chorar a dor que começaremos de fato a transformar esse sistema tão enraizado em nossa humanidade, o sistema de que não podemos doer. Sistema esse que nos mantém, desumanizados, frios, iludidos e distantes uns dos outros, mas principalmente de nós mesmos. Sistema onde eu não me responsabilizo por mim , nunca sou eu, é sempre o outro. Somos todos nós, sobre cada um de nós em sua relação com si mesmo.

Agora , sobre as nossas crianças que chegam autênticas no seu sentir, nosso desafio é perceber que ao nos acolhermos, seremos capazes de acolhe-las também. Afinal, elas não precisarão se afastar de sua inteireza e adentrar em um mundo de ilusão para serem amadas.No mundo de quem elas deveriam ser para merecerem o amor.

Permanecerão inteiras, vivas e, portanto, amando a si mesmas na experiência da vida. O ponto é que, somente será possível acolher essa experiência no outro quando aprendi a fazer isso comigo mesmo. Se não encontraremos mais do mesmo, mais do que temos visto: por conta da nossa imensa dificuldade de nos acolhermos, tratamos nossas emoções como problemas, julgamos emoções como positivas e negativas e passamos a tratar da emoção fluida de nossas crianças assim também. As crianças crescem acreditando que possuem problemas, algo de errado , assim como nós, quando na verdade , estão inteiras tendo que se relacionar conosco fragmentados e distantes de nós mesmos. Iludidos. Que tal voltar para casa? voltar para vida vivida? É possível!

Como você tem vivido a sua vida? Tem sido corajoso para não chorar? Ou tem sido corajoso e triste?

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Com todo meu amor, coragem e tristeza

Dani Freixo de Faria

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