Como SER criança na era do videogame, do celular, do computador e da televisão?

Como SER criança na era do videogame, do celular, do computador e da televisão?

Acredito que a nossa grande missão é conseguir equilibrar a vida das crianças para que elas consigam simplesmente brincar. Não é novidade que hoje a oferta de videogames e programas de televisão na TV a cabo é imensa, porém desde os anos 80, quando as marcas Atari e Nintendo alavancaram suas vendas nós já nos questionávamos sobre isto. Lembro-me claramente de passar várias tardes jogando Super Mario Bros, Enduro ou Pacman. A diferença hoje talvez seja o quanto, como, quando e com quem exercem estas atividades!

O que preocupa é que hoje algumas crianças escolhem diariamente, em todos os seus momentos livres, esse tipo de diversão. Brinquedos tradicionais, jogos, lápis e folhas de rabisco começam a desaparecer das prateleiras, dando lugar às de jogos DS, Wii e tantos outros. E além dos jogos eletrônicos ainda há a grande variedade de games nos celulares que, por serem móveis, podem ser jogados a qualquer momento, em qualquer lugar.

Vejo pais extremamente preocupados e controlando o acesso das crianças aos eletrônicos e outros querendo fazer diferente mas sem saber como. Outro dia ouvi uma frase que me chamou atenção: “Hoje dá para sair e jantar tranquilamente em restaurantes com nossos filhos pois com o ‘DS’ eles não dão nenhum trabalho”. No momento em que o videogame passa a substituir – além de outras brincadeiras – o encontro, acredito que necessitamos de reflexão.

Novamente chamo atenção para a construção do equilíbrio. Quero dizer que todas as atividades são importantes, inclusive os jogos eletrônicos que desenvolvem atenção, habilidade motora fina e noção de sequência, entre outras coisas. Temos também atividades que envolvem movimento do corpo de forma ampla como nadar, jogar futebol, pular corda, andar de bicicleta, além dos tradicionais jogos de tabuleiro, que são reflexivos.  E claro não podemos deixar de lado o encantamento dos livros de história que desenvolvem a imaginação e aprimoram a leitura, a escrita e o vocabulário das crianças.

Nosso desafio não é apenas colocar regras para a utilização de videogames, mas principalmente conseguir oferecer e despertar o interesse dos pequenos por outras atividades. O que tenho acompanhado são pais e filhos numa disputa enérgica quanto aos games e isso toma tanto espaço que sobra pouca energia para criar outras brincadeiras e atividades. A escola, a natação, o judô e o balé ficam responsáveis pelo movimento pois em casa as crianças estão sempre preferindo ficar espalhadas em algum sofá “vidrados” em alguma tela.

O corpo sente, a mente sente, a criatividade sente, a autonomia sente, o desenvolvimento sente, e principalmente, as relações e vínculos sentem. Até nós adultos estamos tendo que tomar cuidado senão , cada um no seu celular, ipad, computador parecemos estar juntos , mas também mal nos falamos. Tem até uma brincadeira nova nos happy hours : todos colocam os celulares na mesa e ninguém pode pegar, se pegar , paga a conta. Virou uma brincadeira, mas surgiu porque nós ambé não estávamos conseguindo nos encontrar. Proponho uma reflexão voltada para:

Qual?

O melhor jogo é o indicado para a idade do seu filho e que você conheça.

Quando? Quanto?

Essas duas medidas devem ser encontradas em cada casa, em cada família, mas com a noção de que o videogame não deve substituir outras atividades importantes, muito menos as oportunidades da família estar reunida (coisa especial devido à grande carga de trabalho dos pais). É importante construir essa dinâmica com as crianças, pois cada uma tem sua própria reação. Os games podem fazer parte do cotidiano de forma natural, intercalados com outras brincadeiras, ou gerar uma compulsão e desinteresse por outras atividades. É neste momento que os pais devem cortar esta atividade, ou diminuir o tempo para sua utilização. Depende de cada criança.

Com quem?

O ideal é jogar videogame acompanhado pelos pais, amiguinhos ou responsáveis, criando uma oportunidade para a troca, o diálogo, a diversão com o outro e gerando, neste encontro, uma parceria perante os desafios do jogo. Com os jogos online , é importante deixar claro que vale adicionar os amigos . Não podem adicionar quem não conhece, regra importante.

Com este estado de alerta acredito que possamos curtir todos esses momentos com nossas crianças além de vê-los curtir também, de forma saudável, produtiva, alegre e divertida. Sem nos esquecermos de gestos simples, como os olhos nos olhos, a conversa na mesa da cozinha, o diário de recordações e a coleção de figurinhas ou papel de carta, lembranças que nos acompanharão por toda a vida.

Com carinho e gratidão
Dani

Posts relacionados

Deixe um comentário

Your email address will not be published.