Como lidar com as mentiras das crianças!

Quando pensamos em algum tipo de mentira, imediatamente nos vêm uma repulsa e a certeza absoluta de que algo grave ou até mesmo leviano está sempre por trás deste ato. Obviamente a mentira também tem dessas coisas, mas quero apresentar aqui uma reflexão para algumas das mentiras comuns entre as crianças.

Não adianta, quando descobrimos que um filho mentiu, nos sentimos mal ou ficamos furiosos, mas quero convidá-los a olhar essa questão um pouco antes da mentira em si.
Muitas vezes as crianças mentem devido ao fato de terem feito algo que sabem ser errado e, por conta disso, não querem levar mais broncas de seus pais, como se já tivessem, na própria experiência, aprendido a lição. Outra situação bastante comum ocorre quando a criança enxerga a reação negativa de nossa parte, ou mesmo nossa fúria perante algum comportamento negativo ou indesejado e o que sente é puro medo de, dali em diante, nos contar a verdade. Mentir em sua percepção é melhor do que enfrentar a enorme bronca que provavelmente vem por aí.

A melhor descoberta é perceber que a mentira também pode ser manifestada pela vontade de fazer o que se pretende, sem ferir a pessoa de quem se gosta, tal como uma encruzilhada. Por exemplo, ou faço o que quero e chateio muito a minha mãe, ou não faço o que quero e garanto a satisfação dela. Porém quando essa escolha parece impossível de ser feita, muitas vezes a mentira surge como uma forma “fictícia” de se ter as duas coisas: a ação tão desejada e sua mãe satisfeita. Falo fictícia pois, mais cedo ou mais tarde, sua escolha aparecerá e a criança terá de lidar com ela.

Por estes caminhos percebemos que nossa atuação crucial interfere diretamente no resultado que obtivemos. Mas então, o que faremos? É possível prevenir os cuidados e evitar que a mentira se instale na relação de pais e filhos?
No momento em que a comunicação se estabelece, podemos ouvir nossos pequenos, de um lugar repleto de amor e respeito. Perceberemos então se a lição foi aprendida, não sendo necessária mais nenhuma palavra de nossa parte, a não ser: ”Que bom que você viu o que não foi bacana em sua atitude”.

Deste mesmo lugar de amor e respeito podemos cuidar da nossa comunicação, de como nós, pais, falamos com nossos filhos nesses momentos tão delicados e únicos na oportunidade de se aprender pela experiência em si, e não por nosso ímpeto, ou “braveza”. E ainda temos o terceiro caminho que se faz por meio desta escuta que é sagrada, pois ao enxergar que ali existe uma criança viva, que sente como nós sentimos, somos capazes de compreender quando num dia muito quente não estão com vontade de comer arroz e feijão. Ou então compreender a preguiça de ir para a escola. Isso é muito diferente de deixar as crianças, a todo o momento, fazerem o que querem.

“Não preciso mentir…”

Mas quando as ouvimos de verdade, somos capazes de além de avaliarmos juntamente qual a necessidade que não está atendida, encontrar uma solução melhor, nem que seja a de ceder ao chamado deles.
Conscientes da comunicação e do quanto esse encontro ocorre entre duas pessoas, é possível estabelecer uma relação saudável e verdadeira, na qual a mentira não tem espaço para prevalecer. “Não preciso mentir porque tenho medo, ou por querer agradar, posso me relacionar estando inteiro, pois sei que serei respeitado, serei ouvido”.
A partir desse lugar de puro encontro amoroso é possível aprender o quanto vale a pena sermos verdadeiros conosco e com os outros.

Com carinho e gratidão

Daniella Freixo de Faria

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